Fórum Crie PP destaca experiências municipais e debate o papel da cultura no desenvolvimento dos territórios

Realizado durante a Feira do Empreendedor Sebrae 2026, encontro reuniu especialistas e representantes de municípios paulistas em quatro dias de painéis, experiências culturais e debates sobre políticas públicas e economia criativa.

Créditos das Imagens: Camila Marujo

Entre os dias 19 e 22 de outubro, o Programa Crie Políticas Públicas (Crie PP), iniciativa do Sebrae-SP, realizou o Fórum Crie PP na Arena Cidades que Inspiram, durante a Feira do Empreendedor Sebrae 2026, em São Paulo. Com o tema Territórios Criativos: cultura, identidade e desenvolvimento, a programação apresentou experiências de municípios paulistas e promoveu discussões sobre como a cultura pode contribuir para o desenvolvimento territorial e o fortalecimento das políticas públicas.

Organizado em quatro eixos temáticos, o Fórum abordou o reconhecimento das singularidades dos territórios, o papel das políticas culturais, a ativação de conhecimentos e vocações locais e a construção de estratégias para dar continuidade às iniciativas. Os painéis reuniram especialistas, gestores e representantes municipais que compartilharam práticas relacionadas à preservação do patrimônio, à economia criativa, ao turismo, à participação comunitária e à gestão cultural.

Experiências municipais e valorização das identidades locais

No primeiro dia, 19 de outubro, a programação destacou o reconhecimento dos ativos culturais e das vocações territoriais. Entre os participantes esteve Ricardo Monte dos Santos, que abordou como iniciativas culturais podem conectar cultura, educação, turismo e desenvolvimento local. O historiador e especialista em Ciência Política Benilson Toniolo também participou dos debates, ao lado de Paulo Ricardo Dias Florentino, encarregado de Cultura de Serrana (SP), em discussões sobre identidade, formação e desenvolvimento territorial.

A programação incluiu ainda experiências de valorização das tradições populares e da memória dos municípios, como a Festa do Tropeiro, apresentada por Bianca Chagas de Aquino Oliveira, de São Francisco Xavier, e a Cartilha Afetiva Memórias Vivas de Areias, apresentada por Gabriel Fonseca de Oliveira Ramos. As atividades evidenciaram como as referências culturais podem integrar estratégias de valorização da identidade local.

No dia 20 de outubro, o foco foi a relação entre cultura, políticas públicas e desenvolvimento dos territórios criativos. Cláudia Ribeiro, gestora cultural e doutoranda em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), participou dos debates sobre a continuidade das políticas culturais e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). A programação também apresentou experiências como o Festival Gastronômico da Mandioca de Santa Maria da Serra, com Leandro Gomes da Silva, e a construção de políticas culturais em territórios caiçaras, com Priscilla Nunes Berbigão, a partir da experiência de Ilha Comprida (SP).

Mapeamento cultural, economia criativa e gestão pública

O terceiro dia, 21 de outubro, foi dedicado ao reconhecimento de conhecimentos, ativos e vocações capazes de impulsionar os ecossistemas criativos. A programação apresentou a experiência de Itapetininga (SP) na construção de um território audiovisual, com Mayra Apolinário Machado, e discutiu o mapeamento cultural como ferramenta de diálogo e gestão pública, com o economista, pesquisador e professor Wiliam Retamiro.

Também foram compartilhadas iniciativas de expressão artística e valorização das práticas culturais locais, como o Projeto Pneuarte, apresentado por Fábia Marini da Silva, de Taciba (SP). A Feira Livre de Macaubal, apresentada por Ana Carolina Ferreira da Silva Moura, encerrou a programação do dia com uma experiência que relaciona gastronomia, saberes tradicionais, produção local e identidade territorial.

No último dia, 22 de outubro, os debates se concentraram na articulação de redes e na continuidade das ações culturais. Entre os destaques esteve a discussão sobre governança e redes para territórios criativos, conduzida por Camila Marujo, gestora cultural e consultora em políticas públicas, com a participação de Camila Orlando, diretora do Departamento de Cultura, Turismo e Lazer de Aramina (SP).

A programação também abordou a democratização do fomento cultural e as estratégias para aproximar os instrumentos públicos de quem produz cultura. Lucimar Torchi Lazaro apresentou a experiência de Francisco Morato (SP), enquanto Camila Marujo conduziu a discussão sobre caminhos para transformar iniciativas culturais em políticas públicas contínuas, considerando planejamento, financiamento, participação e avaliação.

As apresentações culturais realizadas ao longo dos quatro dias complementaram os painéis, com manifestações como o Jongo de Francisco Morato, a Orquestra de Viola de Igaratá, a Quadrilha Junina e as Folias, Violas e Marungos, reforçando a diversidade das expressões culturais presentes nos municípios paulistas.

Cultura no planejamento dos municípios

Ao reunir experiências de diferentes localidades, o Fórum Crie PP promoveu o intercâmbio de conhecimentos sobre os desafios e as possibilidades da gestão pública da cultura. Os debates destacaram a importância de reconhecer os recursos culturais existentes nos territórios e articulá-los a políticas públicas, iniciativas de empreendedorismo, turismo e economia criativa.

A programação também reforçou a necessidade de construir estratégias que considerem as particularidades de cada município, valorizem a participação das comunidades e favoreçam a continuidade das ações culturais.

Realizado no contexto da Feira do Empreendedor Sebrae 2026, o Fórum integrou as iniciativas do Crie PP voltadas à formação, à articulação e à troca de experiências entre os agentes envolvidos na gestão pública da cultura no Estado de São Paulo.

Veja Algumas Fotos do Fórum Crie PP